quinta-feira, 25 junho , 2026

Em março, inteligência dos EUA afirmou que Irã não desenvolvia bomba nuclear

Dois meses antes de Israel lançar um ataque contra o Irã, a Diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, declarou ao Senado norte-americano que Teerã não estava desenvolvendo armas nucleares. A fala ocorreu em 25 de março de 2025, durante audiência da Comissão de Inteligência, e contraria diretamente a justificativa usada por Israel para justificar a ofensiva militar.

Nomeada por Donald Trump, Tulsi Gabbard afirmou que a Comunidade de Inteligência dos EUA não identificava nenhuma retomada do programa de armas atômicas, suspenso em 2003, e que o Líder Supremo iraniano, Ali Khamenei, também não havia autorizado tal reativação. A diretora reforçou que as agências seguem monitorando o cenário, mas que, até aquele momento, não havia evidências concretas de construção de bomba atômica pelo Irã.

Apesar da declaração da sua própria chefe de inteligência, Trump afirmou recentemente que o Irã estava “muito perto” de obter uma bomba, alinhando-se à posição do premiê israelense Benjamin Netanyahu. Ao ser questionado por jornalistas no Canadá, após reunião do G7, o ex-presidente declarou não se importar com o parecer apresentado ao Senado e reafirmou seu apoio a Israel.

Gabbard também comentou que o Irã passou a discutir publicamente o tema das armas nucleares, o que, segundo ela, “quebra um tabu” e pode incentivar alas mais radicais dentro do regime. Ela destacou ainda que o nível de urânio enriquecido no país é o mais alto já registrado para um Estado sem armas nucleares.

O analista e ex-inspetor da ONU, Scott Ritter, criticou a postura de Trump, afirmando que o ex-presidente está ignorando seus próprios órgãos de inteligência ao dar mais peso aos relatórios israelenses. Para ele, isso coloca a soberania da inteligência dos EUA em segundo plano, cedendo espaço a interesses externos em decisões cruciais sobre guerra.

A declaração de Gabbard e o ataque israelense aconteceram enquanto Irã e EUA ainda negociavam em Omã a retomada de um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Segundo Teerã, o objetivo era elevar o enriquecimento de urânio para 20%, voltado ao uso médico, como no tratamento de câncer. Após o bombardeio, o Irã suspendeu as negociações e acusou os EUA de serem cúmplices da ação israelense.

A situação se agravou com a aprovação de uma resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que apontava falta de cooperação do Irã. O país reagiu acusando a agência de motivação política e disse que a medida foi articulada pelas potências ocidentais. Especialistas em relações internacionais também levantaram a possibilidade de uso político da AIEA para legitimar ofensivas militares, especialmente diante do contexto da guerra em Gaza.

Segundo o professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), há uma tentativa de Netanyahu em ampliar o conflito e envolver diretamente os EUA. Ele acredita que o governo israelense age com o objetivo deliberado de centralizar os americanos na guerra do Oriente Médio.

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